Os Donos de Hollywood no Brasil

            Cerca de 15 anos atrás, quando cheguei de mudança em Hollywood pela primeira vez como estudante universitário na onírica CalArts (California Institute of The Arts), participei de um curso interessantíssimo exigido pelo currículo do meu bacharelado: Business of Film (que traduzido seria algo como “Negócios do Cinema” ). O professor não poderia ser mais adequado – um produtor “invocado” e de origem judaica chamado Eric Sherman que, na casa dos seus 60 anos, exigia que a universidade desligasse os detectores de fumaça durante sua aula para que ele pudesse lecionar fumando seu charuto cubano, um símbolo constante de poder e status em Hollywood. Evidentemente, os estudantes adoravam a irreverência de Sherman e quase disputavam sua aula à tapa.  Muito do que Eric ensinou permaneceu comigo para sempre desde então, mas jamais poderei esquecer de uma de suas aulas mais marcantes quando ele falou sobre as pessoas que verdadeiramente “mandavam” em Hollywood – aqueles que de modo concreto e objetivo tomam as decisões chave e determinam quais filmes serão feitos, quem serão as próximas estrelas, os próximos diretores “do momento” e daí por diante. Esses “donos” de Hollywood, dizia Eric, são pessoas inacessíveis, invisíveis aos olhos dos pobres mortais – jamais saberemos exatamente quais são os seus nomes ou suas aparências, afinal de contas, eles operam dos bastidores, por trás do por trás das câmeras, nos escritórios escondidos de Beverly Hills ou em mansões secretas em Malibu. São eles: os grandes produtores e os grandes agentes. Explico – já há muitas décadas os grandes produtores assumiram o lugar que por muito tempo foi dos grandes estúdios. São eles que, efetivamente, fazem os filmes e projetos acontecerem. Esses produtores respondem aos investidores, contratam as equipes, contratam inclusive os diretores e roteiristas e, caso o projeto chegue a receber o Oscar® de melhor  filme, são esses produtores que sobem no cobiçado palco para receber a estatueta dourada. No entanto, por trás desses grandes produtores há ainda outra peça do quebra-cabeça: o agente. Esse é o profissional que inclusive determina quais projetos o produtor irá encabeçar. Os grandes agentes montam o que Hollywood hoje chama de “package” ou, traduzindo, “pacote” :  eles ajudam a traçar todo o perfil de talentos que deverá compor um filme. São esses agentes que brigam nas reuniões de negócios para garantir a presença e assegurar os salários das grandes estrelas – o que quero dizer é, se você deseja Tom Cruise, Brad Pitt ou Steven Spielberg num determinado projeto, primeiro deverá convencer seus agentes (talvez isso dê ao leitor um pouco da dimensão de importância desses profissionais: os agentes).

            Evidentemente, há milhares de agentes e produtores em Hollywood. Mas poderosos, de fato, talvez poucas dezenas. Esses sim, são os “donos” de Hollywood, os profissionais que decidem em almoços e jantares todo o futuro da indústria mais glamurosa da terra.

            Recentemente, tive um privilégio sem precedentes: como diretor do Latin American Film Institute, sou responsável, ao lado de Amanda Maya e Luciana Stipp, por organizar o Festival Internacional de Cinema e Atuação Instituto Stanislavsky que acontece anualmente em nossa sede paulista, e isso me faz ter encontros e reuniões bastante inusitadas. Como não poderia deixar de ser, finalmente travei contato com alguns desses “donos” de Hollywood, mais especificamente, um dos produtores mais conceituados da indústria e uma das maiores agentes da atualidade. Mas é preciso que eu os apresente devidamente para que se tenha idéia precisa de quem são:

            A agente é ninguém menos que Risa Gertner, a co-head da maior agência do planeta (a CAA – Creative Artists Agency) responsável por representar (e decidir as carreiras) dos nomes mais robustos do cinema como Steven Spielberg, Tom Cruise, Brad Pitt, Ron Howard, Sandra Bullock, James Cameron e por aí a fora! Deu pra ter idéia do tamanho da encrenca? A Risa, especificamente, representa o próprio Spielberg além de outros grandes diretores, roteiristas e produtores como Paul Haggis (vencedor do Oscar® por Crash – no Limite), Ron Howard (O Código Da Vinci), Tony Gilroy ( Advogado do Diabo, Ultimato Bourne), Danny Strong ( Jogos Vorazes), Simon Kinberg ( X-Men, Sherlock Holmes), Bennett Miller (Her, Capote) dentre outros. Já o produtor é Andy Meyer, responsável por clássicos como Tomates Verdes Fritos e Clube Dos Cinco, que aliás, está novamente em cartaz nos Estados Unidos em versão remasterizada digitalmente em comemoração aos 30 anos de sua realização. Para se ter idéia da popularidade do Clube Dos Cinco (ou, no original, “The Breakfast Club”) aqui nos EUA, basta mencionar que a nova estréia aconteceu em Los Angeles no mês passado para um público de 5 mil pessoas! Ao conversar com esses dois figurões sobre a possibilidade de trazê-los para o Brasil em Julho de 2015 (e já adianto ao leitor que o convite foi aceito por ambos!), aproveitei para bater um papo com eles no intuito de reproduzir um pouco de nossa conversa para o público brazuca! Segue um apanhado dos “melhores momentos” do nosso dedo de prosa:

CONTINUA…

Tristan e Amanda

TRISTAN ARONOVICH e AMANDA MAYA são atores e cineastas premiados internacionalmente. Um de seus filmes mais recentes, “Alguém Qualquer”, foi finalista para representar o Brasil no Oscar® 2016. Suas produções foram compradas e exibidas pela SONY, FOX, FX, WARNER, PARAMOUNT, TURNER, PRIME BOX BRAZIL dentre outros. Atualmente residem em Los Angeles e dirigem o Latin American Film Institute (LAFilm).

Website: http://www.cinemapro.com.br

4 Comentários

  1. Luis Henrique Garcia de Mattos

    Pessoalmente não sou cinéfilo, não tenho muito conhecimento de cinema, nem muito de sua história e nem de seus grandes filmes. Gosto apenas de assistir aos filmes, ver as histórias serem contadas, emocionar-me com elas. E depois de assistir a “Alguém Qualquer”, passei a querer conhecer as pessoas que estavam envolvidas com este filme, conhecer sua história, ouvir suas histórias, só isso, o prazer de ouvir suas histórias, e por que não dizer, histórias de sucesso, em um momento difícil como este, no nosso país e no mundo, histórias assim nos enchem de esperança. Obrigado por nos proporcionar esperança.

    • Que lindo depoimento Luis, muito obrigado mesmo por nos escrever, sem palavras. 🙂
      Um grande abraço,
      Amanda e Tristan

  2. Fabio Luyz

    Fazer um filme realmente envolve muitas pessoas para concretizar um belo trabalho.

    Antigamente, eu só assistia o filme e pronto, mas hoje em dia estou cada vez mais querendo saber quem foi que fez tal coisa. Os diretores, montadores e etc podem até não aparecerem, mas são muito, mas muito importantes, pois sem eles o filme não é terminado.

    Eu ainda sou jovem e gostaria muito de trabalhar em um filme qualquer tempo desses, mas por enquanto só estudando mesmo After Effetcs, Adobe Premiere.

    • É isso mesmo Fabio, para realizar um filme é necessário um exército de pessoas, e todas as funções são igualmente importantes. Muita sorte nos seus estudos e por favor, continuem escrevendo pra gente.
      Um grande abraço,
      Amanda e Tristan

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