A Pulverização e Descentralização dos Pólos de Produção

Pacotes atrativos em outros lugares: tendo em vista todos os obstáculos citados acima para se rodar um filme em L.A. e N.Y., outros estados e cidades norte-americanos perceberam nisso uma grande oportunidade. Não há dúvida de que a indústria cinematográfica movimenta um grande volume econômico, gera empregos e agrega valor por onde passa, portanto, ficou claro para muitos municípios que surgia um momento apropriado para “atrair” a indústria e com isso abocanhar uma fatia desse bolo! Nos últimos anos diversos pacotes de incentivo foram desenvolvidos para atrair e fisgar cineastas para as mais diversas locações. Um dos pacotes mais fascinantes foi o programa desenvolvido pelo estado da Geórgia, na costa leste. Com abatimento de taxas e impostos específicos para projetos cinematográficos além de escritórios especializados em assegurar locações gratuitas (ou seja, sem as famosas “permits”) bem um painel de profissionais altamente qualificados, as cidades georgianas de Atlanta e Savannah tem se transformado em verdadeiras mini-Hollywoods!

Além disso, a qualidade de vida e os custos reduzidos no que toca estadia, transporte e alimentação também servem como grandes atrativos. Finalmente, a recente inauguração do Savannah Film Studios (uma estrutura de fazer inveja para grandes estúdios de L.A. e N.Y.) também causou frisson na indústria, já que essencialmente tudo que se pode realizar nos maiores estúdios do planeta agora também pode ser realizado na Geórgia. Outras cidades e estados também aderiram ao movimento e se transformaram em verdadeiros ímãs para o cinema independente: a texana Austin (lar de diretores de peso como Robert Rodriguez e Richard Linklater além de stars como Matthew Mcconaughey), New Orleans (sim, aquela mesma que foi devastada pelo Katrina alguns anos atrás e que tem encontrado no cinema uma fonte excelente para engrossar a economia local), além do estado do Novo México com suas paisagens exuberantes e a canadense Vancouver (que, de quebra, ainda entra geralmente na lista das 10 melhores cidades do mundo todos os anos!).Festivais de cinema: A presença de festivais grandes também funciona para atrair produções, profissionais e talento para diversos lugares, afinal de contas, bons festivais que contam com apoio de mídia e imprensa além de respeito da crítica especializada servem como uma maravilhosa vitrine de exposição para o trabalho de novos profissionais (além de criar a possibilidade de contatos e network na indústria). Mais uma vez, a Georgia tem feito barulho com dois festivais que não páram de crescer: o Savannah Film Festival (que tem atraído um público de – pasmem! – cerca de 40 mil pessoas a cada edição) além do já consagrado Atlanta International Film Festival, um festival que serve como qualificador para a disputa pelo Oscar (r).

A badaladíssima cidade de Austin, no Texas, também possui meia dúzia de festivais incríveis como o South By Southwest (SXSW) além do Austin Film Festival e outros, o que garante um agito cinematográfico no local praticamente o ano todo. Vale ressaltar ainda o charmosíssimo festival de Sedona, no Arizona, que tem sido considerado por muitos como o novo “Sundance”. Esses festivais tem roubado cada vez mais os holofotes de Nova York e Los Angeles.Relocação de profissionais: com todo esse panorama, cidades como Savannah e Austin tem atraído (ou “roubado” ?) muitos profissionais que desejam continuar produzindo porém não querem lidar com a “loucura” diária de L.A. ou N.Y. Já citei nomes de pesos-pesado que escolheram Austin, no Texas, como sua base. E Savannah também não fica para trás: a cidade com charme europeu na costa leste já atraiu os atuais residentes Andrew Meyer (produtor de Asas da Liberdade, Clube dos Cinco e Tomates Verdes Fritos), David Stone (vencedor do Oscar por seu trabalho no “Drácula” de Bram Stoker/Copolla), Stratton Leopold (produtor de Missão: Impossível III), Jon Alvord (editor de Sin City, X-Men e outros) e Sandra Bullock (que, ironicamente, também tem residência  em Austin!). Finalmente, no ano passado, Savannah também atraiu à mim e à minha parceira profissional Amanda Maya. Com tantos incentivos e com um cenário altamente promissor, nos re-locamos para Savannah onde estamos trabalhando com os já citados Andrew Meyer, David Stone e Jon Alvord. Além disso, graças à produtora e escola de cinema e atuação que mantenho no Brasil (o Latin American Film Institute – www.lafilm.com.br) tenho conseguido ajudar artistas brasileiros, cineastas e atores, a virem passar um tempo em Savannah também.Concluindo, fica fácil perceber que Hollywood está se diluindo e diversos outros pólos (as “novas Hollywoods” ) vão ganhando cada vez mais força, o que sem dúvida é algo bastante positivo para o futuro da sétima arte. Ficamos agora na esperança e na torcida para que o Brasil também ganhe força e consolide seu lugar na indústria cinematográfica mundial, afinal, se outros países latinos como México e Argentina já consolidaram seus espaços, não há razão para que não façamos o mesmo. No que depender de mim e da equipe do Latin American Film Institute, o cinema brazuca deve em breve ingressar com força no circuito internacional! Já há alguns anos lutamos para reforçar os vínculos e parcerias internacionais bem como para promover intercâmbios entre cineastas e atores brasileiros e estrangeiros. Agora, aos poucos, os frutos vão surgindo. Quem sabe em breve não tenhamos uma “nova hollywood” verde e amarela?

Tristan e Amanda

TRISTAN ARONOVICH e AMANDA MAYA são atores e cineastas premiados internacionalmente. Um de seus filmes mais recentes, “Alguém Qualquer”, foi finalista para representar o Brasil no Oscar® 2016. Suas produções foram compradas e exibidas pela SONY, FOX, FX, WARNER, PARAMOUNT, TURNER, PRIME BOX BRAZIL dentre outros. Atualmente residem em Los Angeles e dirigem o Latin American Film Institute (LAFilm).

Website: http://www.cinemapro.com.br

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